“A gente pode morar numa casa mais ou menos, numa rua mais ou menos, numa cidade mais ou menos. A gente pode olhar em volta e sentir que tudo está mais ou menos. Tudo bem. O que a gente não pode mesmo, nunca, de jeito nenhum é amar mais ou menos, sonhar mais ou menos, ser amigo mais ou menos, namorar mais ou menos, ter fé mais ou menos, e acreditar mais ou menos. Senão a gente corre o risco de se tornar uma pessoa mais ou menos.”
❝ Eu sou um eterno apaixonado por palavras, músicas e pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono.
❝ Durante 60 anos, eu amei cada pedaço dela, cada sorriso que ela dava, cada olhar torto, amava o cheiro, o suor, as rugas. Ela morreu sem saber disso. Não me arrependo de não ter falado. Talvez não tivesse durado. Raramente o amor é reciproco.
❝ Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses.
❝ Um caso perdido. Esse, finalmente, sou eu. Sou uma catástrofe, uma história mal contada, uma foto mal rasgada e talvez uma poesia mal elaborada. Mesmo que eu queira, não tenho uma definição por completa, sempre sou pelas metades, sem um ponto final ou de exclamação. Sou, quem sabe, uma interrogação. Sou uma folha seca em meio à primavera, uma xícara rachada em pleno café da tarde, a rosa despedaçada, a violeta sem vida, a vidraça quebrada. Sou um amedrontado por escuridão.